só e imóvel a velar, encardido pelo sol e pelo tempo, testemunho de prantos, lamentações e orações.

sábado, 22 de agosto de 2009

fenix



pega o lapis rabisca,
tenta fazer poesia,
desenha um coração,
amassa o papel,
desanimo,
monotonia,
tédio.

lá fora um passaro canta,
olha pra janela,
desperta,
sol, vida
renascer
nada mais lindo que o renascer
sai das cinzas
bate o pó
eis de novo , viva
radiante.

joão granjeiro

sexta-feira, 21 de agosto de 2009

sexta-feira, 14 de agosto de 2009

impassivel diante do dragão





Quanto tempo nos conhecemos?
Sei lá...
Eu vinha, você ia... Foi um encontro comum, casual.
Milhares já se encontraram assim.
Depois eu comecei a sentir algo,
Talvez uma saudade sem razão...
Sei lá...
Não era tristeza, não era alegria,
Era uma indecisão de amar você.
E eu passava momentos, olhando pra frente,
Desligado, sem ver nada.
Gozado, olhava e não via,
Estava absorto, parado, consumido por mim,
_ Uma verdadeira estátua em introspecção _
Estava “encucado”,
“Encucado” com uma ausência que era presença.
De repente, a interrogação indecisa foi evaporando.
E eu vi em mim que era amor.
Você estava enquadrado no que eu queria:
Desde o sorriso até as lágrimas.
Você era o “SIM” diante do altar,
Você era a mão certa na escalada incerta, você era o horizonte nítido... O agasalho...
Mas eu cometi um erro:
Não perguntei se eu também era
Tudo isso pra você.

E a verdade é que não era
Eu não estava enquadrado no que você queria,
Eu era o “Não”,
Não era o sorriso, não era o agasalho, não era nada...
Era um ser andante maravilhosamente invisível para você.
De repente, a exclamação veio em “closed”.
E eu fiquei afirmando os seus defeitos,
Fiquei procurando tudo que você fazia de errado,
E você não fazia...
Fiquei torcendo pra você me decepcionar.
Afundei-me como arqueólogo nas ruínas da sua imagem adorada
E você permaneceu intacto,
Eu quis desmanchar a ilusão,
Quis vomitar um amor que me assentava bem,
E eu torci pra você me decepcionar,
Eu queria tanto sentir raiva de você,
Ódio...
No entanto, você se manteve a mesma,
Impassível diante do dragão, no qual me transformei.
Então, me decepcionei comigo,
Porque não compensei o que queria com o que sentia,
E numa noite, não muito longe,
Resolvi selar a carta da despedida:
Fechei os olhos,
As lágrimas pingaram uma a uma
E eu adormeci, sonhando o sonho da aceitação.

neimar de barros

terça-feira, 11 de agosto de 2009

sonho de bêbê


Sonho de bêbê

Aquele anjinho brincalhão pulando de nuvem em nuvem,
Olha aquela gordinha poim !pulei !
Agora vou mergulhar ! thibungo !
Vou nadar naquela que parece um rio! Chap ! chap!
Vou encher minhas mãos de algodão e soprar ! fuuuuuuuu !

Gabrieeeeeel ! gabrieeeeeeel ! é a mãezinha chamando !
Já vou mãe ! e poim ! thibungo ! chap ! chap ! fuuuuuuuuuu !

Veeem logo ! ela grita !

Já vou ! e bate as asas rapidinho

E some pra perto da mãezinha do céu !

joão granjeiro
me arrisco a fazer nosso 1º poema, é uma coisa aparentemente infantil, mas representa um estado de espirito em determinada fase da vida.

sexta-feira, 7 de agosto de 2009

mulheres presas



80% das mulheres presas em São Paulo entraram no crime por amor.

Não raro, a alma feminina é aprisionada pela paixão de um homem. E é para protegê-lo e ajudá-lo que 80% das mulheres que vivem atrás de grades em São Paulo cometem crimes em nome de um amor bandido. Depois, amargam a solidão. A maioria é abandonada pelo companheiro. Àquelas que querem apagar a experiência de viver como bicho em jaula, resta o amor dos filhos, talvez da família. E o sonho de encontrar um emprego ao sair da cadeia, recomeçando a vida com um pouco de dignidade. A advogada Lúcia Maria Casali de Oliveira, de 62 anos, diretora executiva da Fundação Professor Dr Manoel Pedro Pimentel de Amparo ao Preso (Funap), acrescenta que, desses 80% das mulheres que ingressaram na vida criminosa para ajudar seus companheiros, a maioria está presa por envolvimento com drogas.
( do e-flog cosmeticos )

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

quarta-feira, 5 de agosto de 2009

acorrentados

Quem coleciona selos para o filho do amigo;
quem acorda de madrugada e estremece no desgosto de si mesmo ao lembrar que há muitos anos feriu a quem amava;
quem chora no cinema ao ver o reencontro de pai e filho;
quem segura sem temor uma lagartixa e lhe faz com os dedos uma carícia;
quem se detém no caminho para ver melhor a flor silvestre;
quem se ri das próprias rugas;
quem decide aplicar-se ao estudo de uma língua morta depois de um fracasso sentimental;
quem procura na cidade os traços da cidade que passou;
quem se deixa tocar pelo símbolo da porta fechada;
quem costura roupa para os lázaros;
quem envia bonecas às filhas dos lázaros;quem diz a uma visita pouco familiar: Meu pai só gostava desta cadeira;
quem manda livros aos presidiários;quem se comove ao ver passar de cabeça branca aquele ou aquela, mestre ou mestra, que foi a fera do colégio;
quem escolhe na venda verdura fresca para o canário;
quem se lembra todos os dias do amigo morto;
quem jamais negligencia os ritos da amizade;
quem guarda, se lhe deram de presente, o isqueiro que não mais funciona;
quem, não tendo o hábito de beber, liga o telefone internacional no segundo uísque a fim de conversar com amigo ou amiga;
quem coleciona pedras, garrafas e galhos ressequidos;
quem passa mais de dez minutos a fazer mágicas para as crianças;
quem guarda as cartas do noivado com uma fita;
quem sabe construir uma boa fogueira;
quem entra em delicado transe diante dos velhos troncos, dos musgos e dos liquens;
quem procura decifrar no desenho da madeira o hieróglifo da existência;
quem não se acanha de achar o pôr-do-sol uma perfeição;quem se desata em sorriso à visão de uma cascata;quem leva a sério os transatlânticos que passam;
quem visita sozinho os lugares onde já foi feliz ou infeliz;
quem de repente liberta os pássaros do viveiro;
quem sente pena da pessoa amada e não sabe explicar o motivo;
quem julga adivinhar o pensamento do cavalo;todos eles são presidiários da ternura e andarão por toda a parte acorrentados, atados aos pequenos amores da armadilha terrestre.

Paulo Mendes Campos, cronista mineiro falecido em 1991 aos 69 anos de idade