só e imóvel a velar, encardido pelo sol e pelo tempo, testemunho de prantos, lamentações e orações.

domingo, 10 de outubro de 2010

petroleo


   hoje passando em frente uma banca de jornal, vi na capa de uma revista estampado" petroleo, a tragédia americana" , referindo-se a tragédia do vazamento no golfo do méxico, Deus queira que num futuro bem próximo não seja essa a tragédia nossa tambem , o governo está vendendo um petroleo que ainda não explorou, está entrando dolar de rolo e muitos cidadãos estão empregando todas suas economias em ações da petrobrás, o governo há muito tempo faz um jogo perigoso de tampar seus rombos com dinheiro emprestado de fora , eu torcí muito para que lula chegasse lá, mais estou achando ele com uma arrogancia terrrivel , vive cuspindo no prato que comeu, o governo fernando henrique deixou tudo prontinho a economia enxuta fez uma redução de salarios e de pessoal , e o lula inchou novamente , lula em seus discursos não respeita os cabelos brancos do velho ex-presidente e esqueceu de dá a ele os créditos pelo sucesso economico do brasil.
   ví uma reportagem sobre o salão do automovel de paris e a tendencia mundial é pelo ecologico , a maioria do carros expostos eram eletricos e carros eletricos não consomem gasolina e assim o preço do petroleo vai cair mais e mais, e a aposta de nosso governo no petroleo............!



By João

sábado, 9 de outubro de 2010

ENTRE A NOITE E A AURORA

Silêncio, meu coração,
Que o espaço não te pode ouvir.
Silêncio, pois que os ares,
Carregados de gritos e lamentos
Não podem percurtir teu canto.
Silêncio, que as imagens que, fugazes,
Erram pela noite
Não darão atenção
Aos murmúrios dos teus segredos,
Nem as procissões de trevas
Se deterão ante os teus sonhos.
Silêncio, meu coração,
Até que a madrugada venha.
Pois quem, pacientemente,
Espera pelo despertar do dia,
O encontrará, por certo.
E quem ama a luz,
Pela luz será também amado.

KHALIL GIBRAN

terça-feira, 5 de outubro de 2010

procura-se um amigo

Vinicius de Moraes




Não precisa ser homem, basta ser humano, basta ter sentimentos, basta ter coração. Precisa saber falar e calar, sobretudo saber ouvir. Tem que gostar de poesia, de madrugada, de pássaro, de sol, da lua, do canto, dos ventos e das canções da brisa. Deve ter amor, um grande amor por alguém, ou então sentir falta de não ter esse amor.. Deve amar o próximo e respeitar a dor que os passantes levam consigo. Deve guardar segredo sem se sacrificar.
 

Não é preciso que seja de primeira mão, nem é imprescindível que seja de segunda mão. Pode já ter sido enganado, pois todos os amigos são enganados. Não é preciso que seja puro, nem que seja todo impuro, mas não deve ser vulgar. Deve ter um ideal e medo de perdê-lo e, no caso de assim não ser, deve sentir o grande vácuo que isso deixa. Tem que ter ressonâncias humanas, seu principal objetivo deve ser o de amigo. Deve sentir pena das pessoa tristes e compreender o imenso vazio dos solitários. Deve gostar de crianças e lastimar as que não puderam nascer.
 

Procura-se um amigo para gostar dos mesmos gostos, que se comova, quando chamado de amigo. Que saiba conversar de coisas simples, de orvalhos, de grandes chuvas e das recordações de infância. Precisa-se de um amigo para não se enlouquecer, para contar o que se viu de belo e triste durante o dia, dos anseios e das realizações, dos sonhos e da realidade. Deve gostar de ruas desertas, de poças de água e de caminhos molhados, de beira de estrada, de mato depois da chuva, de se deitar no capim.
 

Precisa-se de um amigo que diga que vale a pena viver, não porque a vida é bela, mas porque já se tem um amigo. Precisa-se de um amigo para se parar de chorar. Para não se viver debruçado no passado em busca de memórias perdidas. Que nos bata nos ombros sorrindo ou chorando, mas que nos chame de amigo, para ter-se a consciência de que ainda se vive.
 

segunda-feira, 4 de outubro de 2010

Renuncia



Eu queria uma vida assim com você,
Assim sem relógio e sem dedo em riste,
Sem lei e sem sociedade,
Sem satisfação e sem chau!
Eu queria uma vida assim com você,
Mas, felizmente, meu querer não é tudo
E meu poder é limitado.
Felizmente, minha palavra se esvai
E este papel se amarela.
Felizmente porque o bom é a espera.
A incerteza e o talvez são molas propulsoras;
Porque senão a alegria não teria razão
E o chegar não teria partida.
Eu queria uma vida assim com você,
Sem lenço e sem documento,
Mas, o bacana é o adeus, é a volta,
É o riso depois do choro,
É o hoje sofrido e o amanhã exultante.
O bacana é o crescente, a renúncia,
A noite mal dormida, a consciência,
O bacana é a luta,
É saber que existe o perdão.
É a dúvida do "não quero", mas quero!
Eu queria uma vida assim com você,
Mas dou graças por não ter,
Porque só assim eu posso escrever tudo isto,
Só assim eu posso medir-me,
Posso certificar a limitação humana.
Só assim eu sei que nada sou,
Que vivo capengando,
Carregando o que dá
E caindo com o que não dá.
Só assim eu sei o quanto lhe quero,
quanto posso, mas o quanto não devo!

neimar de barros

domingo, 19 de setembro de 2010

mudar doi logo e passa , não mudar, doi depois, mais muito lá na frente .

joão

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

a complicada arte de ver





Ver é muito complicado. Isso é estranho porque os olhos, de todos os órgãos dos sentidos, são os de mais fácil compreensão científica. A sua física é idêntica à física óptica de uma máquina fotográfica: o objeto do lado de fora aparece refletido do lado de dentro. Mas existe algo na visão que não pertence à física.

William Blake sabia disso e afirmou: "A árvore que o sábio vê não é a mesma árvore que o tolo vê". Sei disso por experiência própria. Quando vejo os ipês floridos, sinto-me como Moisés diante da sarça ardente: ali está uma epifania do sagrado. Mas uma mulher que vivia perto da minha casa decretou a morte de um ipê que florescia à frente de sua casa porque ele sujava o chão, dava muito trabalho para a sua vassoura. Seus olhos não viam a beleza. Só viam o lixo.

Os olhos que moram na caixa de ferramentas são os olhos dos adultos. Os olhos que moram na caixa dos brinquedos, das crianças. Para ter olhos brincalhões, é preciso ter as crianças por nossas mestras. Alberto Caeiro disse haver aprendido a arte de ver com um menininho, Jesus Cristo fugido do céu, tornado outra vez criança, eternamente: "A mim, ensinou-me tudo. Ensinou-me a olhar para as coisas. Aponta-me todas as coisas que há nas flores. Mostra-me como as pedras são engraçadas quando a gente as têm na mão e olha devagar para elas".

Adélia Prado disse: "Deus de vez em quando me tira a poesia. Olho para uma pedra e vejo uma pedra". Drummond viu uma pedra e não viu uma pedra. A pedra que ele viu virou poema.

trecho do artigo de Rubens Alves (folha online )

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

palavras do anjo

Quando algo não está bem resolvido n'alma
não há o que cobrar ou quem culpar.
Não há por que paralisar algo ou se empedrar.
Uns dias você irá acordar de manhã com as
luzes e emoções do último arrebol latejando
em seu magoado peito.


Outras vezes a madrugada será profunda,
sem o brilho dos astros, só o manto da
poluição combinando com o teu coração
escondendo o celeste azul marinho.


Mas chegará o dia em que a neblina em teu
espírito passará, e a luz da manhã
arrebentará em fachos paixão pelo novo,
pela vida, pelo outro todo do seu mundo.
Será o anjo matutino a soprar em seu ouvido:
"Levante-se, você tem muito para viver,
deixe o sorriso renascer, carpe diem"!


elisa maria gasparini torres