só e imóvel a velar, encardido pelo sol e pelo tempo, testemunho de prantos, lamentações e orações.

terça-feira, 19 de junho de 2012

borboleta azul

                                                                                   imagem da web


borboleta azul de asas de seda em seu voar silencioso,
 pousa em um anjo de pedra escuro e limoso ,
 parecia ao acaso, mais era uma borboleta magica,
 e ele um anjo encantado, que de tanta tristeza , 
 sentou, e ali ficou, e aguardou por invernos e verões,
 e o espirito da mãe terra guiou o ser mágico até ele,
 e  a transformação aconteceu ,
ela numa bela e sorridente princesa e ele um cavaleiro majestoso e belo , 
aconteceu o beijo, e selaram o pacto de amor eterno , 
metades se completaram,
 e agora vivem no reino da felicidade.


  linda borboleta azul com ALma de poeta.


anjo só.

segunda-feira, 18 de junho de 2012

abraço de amor


te envolvo em meus braços, 
sinto teu cheiro e teu calor,
 e num instante solidão e medo não existem mais,
 duas almas frageis se juntam ,
 tornando-se uma unica e forte.


anjo só

sexta-feira, 15 de junho de 2012

a mel

                                          sentada , pensando - o que vou destruir agora !

quinta-feira, 7 de junho de 2012

Acorrentados
                                           Paulo Mendes Campos

Quem coleciona selos para o filho do amigo;
quem acorda de madrugada e estremece no desgosto de si mesmo ao lembrar que há muitos anos feriu a quem amava;
quem chora no cinema ao ver o reencontro de pai e filho;
 quem segura sem temor uma lagartixa e lhe faz com os dedos uma carícia;
 quem se detém no caminho para ver melhor a flor silvestre;
 quem se ri das próprias rugas;
 quem decide aplicar-se ao estudo de uma língua morta depois de um fracasso sentimental;
quem procura na cidade os traços da cidade que passou;
 quem se deixa tocar pelo símbolo da porta fechada;
 quem costura roupa para os lázaros;
 quem envia bonecas às filhas dos lázaros;
 quem diz a uma visita pouco familiar: Meu pai só gostava desta cadeira;
 quem manda livros aos presidiários;
 quem se comove ao ver passar de cabeça branca aquele ou aquela, mestre ou mestra, que foi a fera do colégio;
 quem escolhe na venda verdura fresca para o canário;
 quem se lembra todos os dias do amigo morto;
quem jamais negligencia os ritos da amizade;
 quem guarda, se lhe deram de presente, o isqueiro que não mais funciona;
quem, não tendo o hábito de beber, liga o telefone internacional no segundo uísque a fim de conversar com amigo ou amiga;
 quem coleciona pedras, garrafas e galhos ressequidos;
 quem passa mais de dez minutos a fazer mágicas para as crianças;
 quem guarda as cartas do noivado com uma fita;
quem sabe construir uma boa fogueira;
quem entra em delicado transe diante dos velhos troncos, dos musgos e dos liquens;
quem procura decifrar no desenho da madeira o hieróglifo da existência;
 quem não se acanha de achar o pôr-do-sol uma perfeição;
quem se desata em sorriso à visão de uma cascata ;
 quem leva a sério os transatlânticos que passam;
quem visita sozinho os lugares onde já foi feliz ou infeliz;
 quem de repente liberta os pássaros do viveiro;
quem sente pena da pessoa amada e não sabe explicar o motivo;
 quem julga adivinhar o pensamento do cavalo;
todos eles são presidiários da ternura e andarão por toda a parte acorrentados, atados aos pequenos amores da armadilha terrestre.

.........pois sou um acorrentado, graças a Deus.

anjo só

quinta-feira, 31 de maio de 2012

o sentimentometro

a escala dos sentimentos vai do fundo do poço até acima das nuvens de algodão onde o arco iris faz morada,
ou seja vai da depressão a paixão colorida e maravilhosa.

anjo só

segunda-feira, 30 de abril de 2012

a virtude do vazio

A virtude do vazio.

      Trinta raios convergentes se unem para fazer a roda, mas são os vazios entre os raios que permitem o movimento do moinho. O oleiro faz o jarro, mas é o vazio do jarro que lhe dá utilidade. As paredes são consistentes, mas é o vazio das portas e janelas que permite o uso do quarto. Assim são as coisas físicas, que parecem ser o principal, mas é o vazio delas que as torna úteis. O ser produz coisas; o não-ser lhes dá utilidade.   

tao te chig